terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Acorda, que o céu quer falar!

Noite quieta
Escuridão
Até então
Flashes de um céu que fotografa
Ilumina a esfera celeste
Ilumina a imensidão terrestre

Quer falar conosco
Mas todos dormem
Como fazê-lo?
Troveja forte
Traz à janela os olhos tantos
Tantos tão amedrontados
Outros tão maravilhados
Sonolentos, porém vivos
Alguns um pouco preocupados

Cargas opostas perpassam a rigidez dielétrica do ar
E os grandes coriscos unem-se aos tantos pensares reflexivos

Fantástica e violenta natureza
Bruta, formosa e bela
Responde à carência não suprida
E aos maus tratos sofridos por ela

Mas não atestemos o óbito da esperança
Ao contrário, mais flashes hão de ter
De um céu que registra um mundo belo
E troveja alegre pelo que vê
Sonhemos com isso então
Voltemos a dormir e façamos acontecer.

(Álvaro Albuquerque - 19/01/2010)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Seja Bem-Vindo, Ano Novo!

E assim, mais um ano finda
Acabara de nascer e já vai se despedindo
Ele, que já foi o futuro, ha pouco era presente e agora vira passado, transforma-se n’uma gigantesca colcha de acontecimentos que muito em breve serão meras lembranças

Um dezembro festivo, comemora o nascimento de Jesus, assim como o ano que vem chegando
Um dezembro nostálgico, mescla essa alegria com a tristeza do ano que se vai

Uns tornam-se ‘bonzinhos’ repentinamente
São presentes, palavras bonitas e votos de felicidade
Muitos querem esses votos de volta... na urna.
Pessoas são fábricas de dinheiro para grandes empresários
O bom velhinho e suas belas renas voadoras levam todo nosso dinheiro ao Pólo Norte

Mas pensemos também nos prós sobre os contras
A coragem do perdão que sai detrás do orgulho e reconstrói famílias
A solidariedade que aflora em forma de caridade e traz nem que pouco à quem nada tem
O abraço apertado de quem gostamos seguido da expectativa em relação ao que sucede as 23:59:59 do dia 31/12

Tenhamos fé e sigamos em frente com o pensamento positivo, desejando somente coisas boas

Que a estúpida matança à própria espécie extirpe-se deixando-nos viver até quando mereçamos
Que nossa consciência ambiental evolua permitindo-nos maior usufruto do mundo
Que o mundo se una com um propósito homogêneo independendo de cor, religião ou classe social.
Que o ano que se distancia leve consigo o preconceito tolo e as perversidades do homem
Que reine então a paz; que sejamos mais saudáveis; que exista literalmente o amor e não apenas a banalização de sua palavra.
Que todos os nossos sonhos realizem-se e possamos realizar o sonho de quem bem queremos.

E que assim, possamos estourar muitas garrafas de champanhe, fazer muitas contagens regressivas, pular muitas ondas, e quaisquer que sejam as tradições.

Seja bem-vindo, Ano Novo!

(Álvaro Albuquerque – 23/12/2009)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O 'ento'

De vento em vento
Invento...
Me sento, penso
Me contento, ou tento
O vento bento
Vem sonolento
E lá no relento
Junto ao rebento
Naquele momento
se perde no pensamento...

(Álvaro Albuquerque 19/12/2008)

domingo, 30 de novembro de 2008

Estranho ímpar

Todo ser humano é um Estranho ímpar
Como Drummond foi observar
Mas basta que se olhe no espelho
E o que era ímpar, vira par

(Álvaro Albuquerque 30/11/2008)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Rotina

Manhã cedo sou preguiça
Elastificam-se os meros minutos
Deles em eles, esgotam-se enfim
Abandono a horizontal e me tenho em pé
O cambaleio traça um traçado torto
E me leva até mim mesmo
No espelho
Um eu descabelado faz a higiene bucal
Me coloco em baixo daquela fria água
Que me desperta como um baque
Findo aquele banho, na tremedeira enxugo-me
A vestimenta me reveste
O relógio já manda que me apresse
Café com pão eu engulo
Carteira, chaves, pressa...
O Trânsito faz doer os joelhos, ouvidos e cabeça
Chegando onde mora o conhecimento
Faço o intercâmbio de informações
Com intervalos que alimentam o ócio
Alimento minha pessoa
E então, o dever me chama
A labuta que cansa
Que remunera
Que ensina
Que engrandece
Tardezinha é o retrospecto
Enfrento aquele que 'faz doer os joelhos, ouvidos e cabeça'
Sem pressa, uso as chaves, jogo a carteira
A água agora é quente e sonolenta
A vestimenta é cambiada
A higiene é feita por um eu menos descabelado
Abandono a vertical e me tenho deitado
Os minutos agora elastificam-se em pensamentos
Que viajam por minha mente
E no desejo de recomeço
Adormece.

(Álvaro Albuquerque 05/11/2008)

domingo, 24 de agosto de 2008

Escreve...

Constrói teus dizeres no desenho das letras que para ti tenham sentido
Ou o faz sem o ter
Pelo simples prazer de tê-la pronta, prepara tua obra como quiseres
Usa e abusa da liberdade poética e não te prende, nem te perde na busca da perfeição

Incorpora-te a ti próprio no papel
Ou quem for de teu agrado
Coloca tua idéia de forma escancarada ou deixa subentendido
Esconde nas entrelinhas teus recados individuais

Se der vontade de rimar
Rima a vontade, se der
Mesmo que empobreça teu texto
do começo ao rodapé

Se nada queres dizer
Nada diga

...

Reticências nos levam ao infinito
Deixa que nos levem
Vamos com elas
E quando achar que deve...
No meio de todas as exclamações!
Ou das interrogações?
Ou no meio de 'Çedinhas', cifrõe$, asterisc*s, trëmas, e demais simbologias
Mete um ponto final.

Álvaro Albuquerque 24/08/2008

sábado, 16 de agosto de 2008

A Chuva

Chuva que cai e molha o chão
Que espalha o cheirinho de terra molhada
Chuva que cai e molha a flor
Que logo é dada para a mulher amada

Chuva que cai e molha o teto
E por eiras e beiras vem
Chuva que cai e molha o sem-teto
Que "nem eira nem beira" tem

Chuva que bate na janela
Que não nos deixa levantar
Que nos prende sobre a cama
E não nos deixa acordar

Chuva que vem lá do céu
Fronte ao sol ela cai
Chuva que forma o arco-íris
Que tem tesouro para quem lá vai

Chuva que apaga
Chuva que é bem-vinda
Chuva que destrói
Chuva que anima

Chuva que banha
Chuva que afoga
Chuva que atrapalha
Chuva que renova

Chuva que rima
Ou, como essa, que não
Que cai de pára-quedas
Sem motivo algum

Chuva que molha o cavalinho
Se não o tirarmos de lá
Chuva até em bolinhos
Que deixa o cheirinho no ar

Chuva que chove no molhado
Que aumenta a poça que se formou
Que obriga-nos a pedir que pare
De molhar nosso divino amor

Chuvinha
Chuvisco
Chuvão

Tempestade
Relâmpago
Trovão

Chuva que evapora
Que volta a subir
E que após um passeio lá no alto
Noutras cabeças tende a cair

(Álvaro Albuquerque - 16 de agosto de 2008)