quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O 'ento'

De vento em vento
Invento...
Me sento, penso
Me contento, ou tento
O vento bento
Vem sonolento
E lá no relento
Junto ao rebento
Naquele momento
se perde no pensamento...

(Álvaro Albuquerque 19/12/2008)

domingo, 30 de novembro de 2008

Estranho ímpar

Todo ser humano é um Estranho ímpar
Como Drummond foi observar
Mas basta que se olhe no espelho
E o que era ímpar, vira par

(Álvaro Albuquerque 30/11/2008)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Rotina

Manhã cedo sou preguiça
Elastificam-se os meros minutos
Deles em eles, esgotam-se enfim
Abandono a horizontal e me tenho em pé
O cambaleio traça um traçado torto
E me leva até mim mesmo
No espelho
Um eu descabelado faz a higiene bucal
Me coloco em baixo daquela fria água
Que me desperta como um baque
Findo aquele banho, na tremedeira enxugo-me
A vestimenta me reveste
O relógio já manda que me apresse
Café com pão eu engulo
Carteira, chaves, pressa...
O Trânsito faz doer os joelhos, ouvidos e cabeça
Chegando onde mora o conhecimento
Faço o intercâmbio de informações
Com intervalos que alimentam o ócio
Alimento minha pessoa
E então, o dever me chama
A labuta que cansa
Que remunera
Que ensina
Que engrandece
Tardezinha é o retrospecto
Enfrento aquele que 'faz doer os joelhos, ouvidos e cabeça'
Sem pressa, uso as chaves, jogo a carteira
A água agora é quente e sonolenta
A vestimenta é cambiada
A higiene é feita por um eu menos descabelado
Abandono a vertical e me tenho deitado
Os minutos agora elastificam-se em pensamentos
Que viajam por minha mente
E no desejo de recomeço
Adormece.

(Álvaro Albuquerque 05/11/2008)

domingo, 24 de agosto de 2008

Escreve...

Constrói teus dizeres no desenho das letras que para ti tenham sentido
Ou o faz sem o ter
Pelo simples prazer de tê-la pronta, prepara tua obra como quiseres
Usa e abusa da liberdade poética e não te prende, nem te perde na busca da perfeição

Incorpora-te a ti próprio no papel
Ou quem for de teu agrado
Coloca tua idéia de forma escancarada ou deixa subentendido
Esconde nas entrelinhas teus recados individuais

Se der vontade de rimar
Rima a vontade, se der
Mesmo que empobreça teu texto
do começo ao rodapé

Se nada queres dizer
Nada diga

...

Reticências nos levam ao infinito
Deixa que nos levem
Vamos com elas
E quando achar que deve...
No meio de todas as exclamações!
Ou das interrogações?
Ou no meio de 'Çedinhas', cifrõe$, asterisc*s, trëmas, e demais simbologias
Mete um ponto final.

Álvaro Albuquerque 24/08/2008

sábado, 16 de agosto de 2008

A Chuva

Chuva que cai e molha o chão
Que espalha o cheirinho de terra molhada
Chuva que cai e molha a flor
Que logo é dada para a mulher amada

Chuva que cai e molha o teto
E por eiras e beiras vem
Chuva que cai e molha o sem-teto
Que "nem eira nem beira" tem

Chuva que bate na janela
Que não nos deixa levantar
Que nos prende sobre a cama
E não nos deixa acordar

Chuva que vem lá do céu
Fronte ao sol ela cai
Chuva que forma o arco-íris
Que tem tesouro para quem lá vai

Chuva que apaga
Chuva que é bem-vinda
Chuva que destrói
Chuva que anima

Chuva que banha
Chuva que afoga
Chuva que atrapalha
Chuva que renova

Chuva que rima
Ou, como essa, que não
Que cai de pára-quedas
Sem motivo algum

Chuva que molha o cavalinho
Se não o tirarmos de lá
Chuva até em bolinhos
Que deixa o cheirinho no ar

Chuva que chove no molhado
Que aumenta a poça que se formou
Que obriga-nos a pedir que pare
De molhar nosso divino amor

Chuvinha
Chuvisco
Chuvão

Tempestade
Relâmpago
Trovão

Chuva que evapora
Que volta a subir
E que após um passeio lá no alto
Noutras cabeças tende a cair

(Álvaro Albuquerque - 16 de agosto de 2008)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Palavras...

Interesante são as palavras
Não fossem elas, o que seria interessante?
'Interessante' nem existiria
Alias, nada existiria
Pois 'existir' ninguém conjugaria

A gente brinca com as palavras
Ou elas brincam com a gente...
seja palavrinha
seja palavrão
seja ela fina, ou não
Basta ser palavra

Quando se unem, têm o poder
Podem fazer rir ou chorar
Podem aflingir ou acalmar
Nada temem, tudo podem

Analfabetos têm de conviver com elas
Mesmo que sem sentido para eles
Mesmo que pareçam meros desenhos

As palavras nos acompanham por toda a vida
Desde nossa certidão de nascimento
Até nosso atestado de óbito,
Permanecendo vivas até quando jazemos
Se fazem presente em nosso epitáfio

A palavra nos constrói, nos destrói
Se desenvolve, se desfaz
E,com um pouco de criatividade, Se Refaz

(Alvaro Duarte - 18/07/2008)

sábado, 7 de junho de 2008

La Vie C'est Belle

Era noite no amanhecer do pensamento
Onde o dia não quis raiar são
As ideias se foram com o vento
Onde a luz protegi com a mão

Era um dia como outro, então
Mas o céu se mostrava vazio
Como se ele fosse meu coração
E nele faltasse um ladrilho

Como a mãe sente falta de um filho
De podê-lo em seu colo acolher
De mimá-lo como um gatilho
Até que ele possa adormecer

Outro dia se impõe a nascer
Dessa vez me pedindo uma chance
Para que assim possa sobreviver
Sem que eu o impeça que avance

Deixo então que a luz me alcance
E o dia saia então do papel
Olho para o céu de relance
E em minhas mãos vejo um troféu

Eu nunca estive ao leu
Pois todo o vazio estava em mim
Tapei os meus olhos com o véu
Que fiz com meu próprio cetim

Pois a vida é bela, sim
Basta que a gente saiba apreciar
Como no céu, um Zepelin
No alto esteja a pairar

À ela devemos amar
E é nela que vamos ter fé
Todo dia a abrilhantar
E que seja como ela quiser

(Álvaro Albuquerque 25/03/2008)